Lupa

A inspeção inicial de vasos de pressão sempre foi negligenciada por muitas empresas. Afinal, para que fazer uma inspeção de segurança em um equipamento novinho em folha?

O vaso era comprado, instalado e iniciava a opera√ß√£o, sem qualquer inspe√ß√£o. O tempo ia passando e depois de 2, 3, 4 ou 5 anos era feita a primeira inspe√ß√£o externa, quando se verificava que n√£o havia um prontu√°rio com as m√≠nimas informa√ß√Ķes para a avalia√ß√£o da sua vida √ļtil, n√£o havia qualquer medi√ß√£o de espessura para saber se o vaso havia sido corro√≠do ou, no pior dos cen√°rios, o vaso simplesmente n√£o havia sido constru√≠do corretamente conforme um c√≥digo de constru√ß√£o.¬†

Pois bem, desde a altera√ß√£o de 28 de abril de 2014 a NR-13 evidenciou a import√Ęncia da inspe√ß√£o inicial para a garantia da opera√ß√£o segura de um equipamento pressurizado.

Em seus par√°grafos 13.4.4.2, para caldeiras, 13.5.4.2, para vasos de press√£o, ¬†e 13.6.3.1, para tubula√ß√Ķes, a NR-13 obriga a realiza√ß√£o da inspe√ß√£o de seguran√ßa inicial, definida no gloss√°rio como aquela (…) realizada no equipamento novo, montado no local definitivo de instala√ß√£o e antes de sua entrada em opera√ß√£o.

Ou seja, a inspeção inicial só é aplicável em equipamentos novos, que nunca operaram. Se um equipamento já está instalado e operando sem que tenha sido feita uma inspeção inicial, ele deve passar por uma inspeção extraordinária (para reconstituição de prontuário) e não uma inspeção inicial.

Para caldeiras, a NR-13 deixa claro que a inspeção inicial deve compreender o exame interno, seguido de teste de estanqueidade e exame externo, enquanto para vasos de pressão deve compreender os exames externo e interno.

Além disso, na falta de comprovação documental da realização, por parte do fabricante, do Teste Hidrostático de fabricação, este deve ser realizado durante a inspeção inicial, tanto para caldeiras como para vasos, obedecendo aos procedimentos dos respectivos códigos de construção. A comprovação documental do Teste Hidrostático de fabricação é normalmente constituída pelo relatório de teste hidrostático e deve ser fornecido pelo fabricante como parte do prontuário da caldeira ou do vaso de pressão, conforme 13.4.1.6(a) e 13.5.1.6(a) respectivamente.

√Č importante frisar que a realiza√ß√£o do exame interno n√£o √© opcional, mas obrigat√≥ria, e na impossibilidade f√≠sica de acesso visual deve ser substitu√≠do pela realiza√ß√£o (…) de outros exames n√£o destrutivos e metodologias de avalia√ß√£o da integridade, a crit√©rio do PH, baseados em normas e c√≥digos aplic√°veis √† identifica√ß√£o de mecanismos de deteriora√ß√£o, conforme 13.5.4.6. Neste caso cabe ao PH n√£o a op√ß√£o de realizar ou n√£o outros ensaios, mas a decis√£o por quais ensaios realizar na impossibilidade do exame interno (ou mesmo externo).

Da mesma forma, caso o Teste Hidrostático de fábrica não esteja comprovado, o PH não tem a opção de não realizá-lo na inspeção inicial. Ele deve fazê-lo.

Assim, é através da inspeção inicial que:

  • √Č verificado se toda a documenta√ß√£o de fabrica√ß√£o foi devidamente fornecida e atende a todos os requisitos da NR-13 e do c√≥digo de fabrica√ß√£o, garantindo que o equipamento foi bem fabricado;
  • √Č verificado se o vaso foi adequadamente transportado e instalado, n√£o tendo sofrido qualquer dano, garantindo a integridade estrutural do equipamento;
  • √Č levantado o estado inicial do equipamento, atrav√©s da medi√ß√£o de espessuras. Um retrato inicial que servir√° de refer√™ncia para, nas futuras inspe√ß√Ķes, permitir a avalia√ß√£o de danos e da vida remanescente;
  • √Č verificada a correta instala√ß√£o dos instrumentos e dispositivos de seguran√ßa, como man√īmetros e PSVs;
  • √Č iniciada a contagem de tempo para as inspe√ß√Ķes peri√≥dicas prescritas na NR-13.

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